08/05/2026 –, Terraço (3º piso) Idioma: Português brasileiro
A palestra abordará como artistas negros brasileiros atuam como agentes críticos no hackeamento, remixagem e reprogramação simbólica de sistemas algorítmicos por meio de suas práticas artísticas compartilhadas nas redes sociais. Situada nas encruzilhadas entre arte, inteligência artificial (IA) e plataformas sociais digitais, a atividade se apoia em sistemas de conhecimento ancestrais, perspectivas contracoloniais e formas de resistência política e criativa para demonstrar como as redes sociais podem ser disparadores de outras perspectivas artísticas e comunicacionais. Práticas artísticas que confrontam as lógicas hegemônicas de visibilidade algorítmica e desafiam a infraestrutura tecnocolonial das redes sociais. A encruzilhada aparece como princípio que articula a rede social como território e enquanto "boca que tudo come", conceito inspirado em Exu Enugbarijó desenvolvido por Larissa Macêdo, para traçar as ambivalências presentes nos sistemas de IA. Com isso, é possível demonstrar como a encruzilhada permite compreender processos comunicacionais que desafiam as relações de poder em espaços digitais a partir de uma perspectiva afrodiaspórica que ativa outras formas de compreender e de lidar com esses sistemas.
O objetivo da palestra é provocar os participantes a refletir de forma crítica e simbólica sobre as encruzilhadas entre arte, IA e redes sociais a partir do operador conceitual das encruzilhadas proposto por Leda Maria Martins, do pensamento contracolonial de mestre Nêgo Bispo e do conceito de redes sociais como "boca do mundo" de Larissa Macêdo. Com isso, a intenção é tensionar e expandir práticas artísticas e comunicacionais nas redes sociais, a partir de uma perspectiva afrodiaspórica brasileira que desestabiliza o pensamento hegemônico ao abordar o campo das artes e tecnologias a partir de uma encruzilhada ética, estética e política.
Esta proposta foi anteriormente apresentada como oficina no Mozilla Festival em 2025 e é parte de uma pesquisa continuada que vem sendo desenvolvida há mais de cinco anos, articulando investigação acadêmica, prática artística e ações em contextos culturais e educacionais. O trabalho também se desdobra na plataforma <ater> (www.projetoater.com), que reúne experimentações e projetos voltados à interseção entre arte, tecnologia e saberes ancestrais.
A CryptoRave se apresenta como um espaço estratégico e alinhado a essa proposta, por reunir iniciativas críticas, políticas, experimentais e contra-hegemônicas no campo tecnológico. Nesse sentido, a atividade busca contribuir com o debate sobre tecnologias a partir de perspectivas que ampliam repertórios tecnocríticos e possibilitam outras formas de imaginação radical para as artes, as redes sociais e a inteligência artificial.
Larissa Macêdo é artista, curadora, doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Seu trabalho se concentra nas interseccionalidades entre inteligência artificial, redes sociais, práticas artísticas e curatoriais ativistas, e nas políticas de visibilidade em ambientes digitais, com foco em raça, gênero e territorialidades. É cofundadora do projeto <ater>, que evidencia os impactos da IA na produção de artistas negros e indígenas nas redes sociais. Atualmente, leciona na Belas Artes (FEBASP) e na École Intuit Lab em São Paulo. Organizou os livros Laboratório de tecnologias e artes: perspectivas para contracolonizar o pensamento e Tecnologias Feministas.