CryptoRave 2026

[IA] Inteligências ancestrais: encruzilhadas, artes e redes sociais
Language: Português brasileiro

A palestra abordará como artistas negros e indígenas brasileiros atuam como agentes críticos no hackeamento, remixagem e reprogramação simbólica de sistemas algorítmicos por meio de suas práticas artísticas compartilhadas nas redes sociais. Situada nas encruzilhadas entre arte, inteligência artificial (IA) e plataformas sociais digitais, a atividade se apoia em sistemas de conhecimento ancestrais, perspectivas contracoloniais e formas de resistência política e criativa para demonstrar como as redes sociais podem ser disparadores de outras perspectivas artísticas e comunicacionais. Práticas artísticas que confrontam as lógicas hegemônicas de visibilidade algorítmica e desafiam a infraestrutura tecnocolonial das redes sociais. A encruzilhada aparece como princípio que articula a rede social como território e enquanto "boca que tudo come", conceito inspirado em Exu Enugbarijó desenvolvido por Larissa Macêdo, para traçar as ambivalências presentes nos sistemas de IA. Com isso, é possível demonstrar como a encruzilhada permite compreender processos comunicacionais que desafiam relações de poder em espaços digitais a partir de uma perspectiva afrodiaspórica que ativa outras formas de compreender e de lidar com esses sistemas.


A palestra abordará como artistas negros e indígenas brasileiros atuam como agentes críticos no hackeamento, remixagem e reprogramação simbólica de sistemas algorítmicos por meio de suas práticas artísticas compartilhadas nas redes sociais. Situada nas encruzilhadas entre arte, inteligência artificial (IA) e plataformas sociais digitais, a atividade se apoia em sistemas de conhecimento ancestrais, perspectivas contracoloniais e formas de resistência política e criativa para demonstrar como as redes sociais podem ser disparadores de outras perspectivas artísticas e comunicacionais.

Essas práticas artísticas confrontam as lógicas hegemônicas de visibilidade algorítmica e desafiam a infraestrutura tecnocolonial das redes sociais. A encruzilhada aparece como princípio que articula a rede social como território e enquanto boca que tudo come, conceito inspirado em Exu Enugbarijó desenvolvido por Larissa Macêdo, para traçar as ambivalências presentes nos sistemas de IA. Com isso, é possível demonstrar como a encruzilhada permite compreender processos comunicacionais que desafiam relações de poder em espaços digitais a partir de uma perspectiva afrodiaspórica que ativa outras formas de compreender e lidar com esses sistemas.

O objetivo da palestra é provocar os participantes a refletir de forma crítica e simbólica sobre as encruzilhadas entre arte, IA e redes sociais a partir do operador conceitual das encruzilhadas proposto por Leda Maria Martins, do pensamento contracolonial de mestre Nêgo Bispo e do conceito de redes sociais como "boca do mundo" de Larissa Macêdo. Com isso, a intenção é tensionar e expandir práticas artísticas e comunicacionais nas redes sociais, a partir de uma perspectiva afrodiaspórica brasileira que desestabiliza o pensamento hegemônico ao abordar o campo das artes e tecnologias a partir de uma encruzilhada ética, estética e política.

Este trabalho fez parte de uma oficina no Mozilla Festival 2025 e que eu gostaria de partilhar na CryptoRave 2026 por acreditar ser um espaço fundamental e importante para a partilha de projetos, ações e ideia contra-hegemônicas no campo tecnológico. Trata-se de uma pesquisa e de ações que venho desenvolvendo há mais de 5 anos tanto no campo acadêmico quanto em espaços artísticos, culturais e educacionais com a plataforma <ater> (www.projetoater.com).

Esta proposta foi anteriormente apresentada como oficina no Mozilla Festival em 2025 e é parte de uma pesquisa continuada que venho desenvolvendo há mais de cinco anos, articulando investigação acadêmica, prática artística e ações em contextos culturais e educacionais. O trabalho também se desdobra na plataforma <ater> (www.projetoater.com), que reúne experimentações e projetos voltados à interseção entre arte, tecnologia e saberes ancestrais.

A CryptoRave se apresenta como um espaço estratégico e alinhado a essa proposta, por reunir iniciativas críticas, políticas, experimentais e contra-hegemônicas no campo tecnológico. Nesse sentido, a atividade busca contribuir com o debate sobre tecnologias a partir de perspectivas que ampliam repertórios tecnocríticos e possibilitam outras formas de imaginação radical para as artes, as redes sociais e a inteligência artificial.