08/05/2026 –, Tula Pilar (piso térreo) Idioma: Português brasileiro
Qual a relação entre dados e políticas espaciais? Como a forma como criamos informações, a serviço de quê as manejamos e de que modo elas influenciam políticas implementadas em territórios? Essa apresentação pretende fazer uma análise das tensões e nuances dessas relações no território do Semiárido Brasileiro, a partir de arquivos, dados e informações adquiridas em diversas instituições que atuam na região, como o DNOCS, SUDENE e ANA. Utilizando esses dados para construir mapas e questionar a maneira como tais políticas têm sido implementadas, buscamos não apenas descrever os métodos de obtenção e tratamento das informações, mas também discuti‑los a partir de princípios de software livre e open-source.
A força estatal para confeccionar dados e informações é conhecida, porém, é importante também perguntarmos como essa força se sustenta e nos impacta. Como o controle de dados tem se atualizado nas políticas espaciais do Semiárido? Desde a construção de açudes a instalação de data-centers na região, o Semiárido é permeado por diversas intervenções que nos permitem analisar e pensar a relação entre a maneira com que políticas se materializam no espaço e como dados são usados como ferramentas discursivas.
A presente proposta será uma apresentação sobre o Semiárido Brasileiro, também chamado historicamente de “Polígono das Secas” ou até mesmo “Sertão”. Esse espaço foi quantificado e qualificado pelo Estado de modo extenso desde o final do século XIX. Como apontam autores, foi inventada uma cultura técnica para lidar com a região, uma cultura que produziu conhecimentos, discursos e formas de intervenção. Nesta apresentação, investigamos como essa tecnicidade se construiu por meio da produção e do manejo de informações, e qual sua relação com o atual estado tecnopolítico em tempos de colapso ambiental na região. A apresentação consistirá em mostrar como temos estudado a região e pensado através imagens, mapas, investigação de arquivos, acervos e também códigos que foram escritos para lidar com os dados obtidos nesses trabalhos.
Por fim, traçamos um paralelo entre as formas históricas de atuação estatal e as contemporâneas, mostrando como os projetos de “desenvolvimento” para o Semiárido se atualizam, sendo muitas vezes pela mesma lógica de controle informacional e populacional. Essa lógica opera sob o argumento recorrente de que a região precisa ser transformada por meio de intervenções espaciais, que vão desde a manutenção de políticas hídricas e a construção de grandes infraestruturas até o extrativismo mineral e a instalação de data-centers.
Leonel Olimpio é um designer e pesquisador. Através de programas de software livre/open-source, análise de dados, pesquisas visuais e de acervos, investiga políticas espaciais e seus processos de violências. Pesquisador dos conflitos espaciais, técnicos, ambientais e raciais das Políticas de Obras contra as Secas no Semiárido Brasileiro e das suas relações com outras políticas em territórios áridos, semi-áridos e desérticos no mundo.
Além dos seus trabalhos de produção de mídias também exerce o trabalho de professor e editor de livros, revistas e textos independentes.