09/05/2026 –, Tula Pilar (piso térreo) Idioma: Português brasileiro
Água, energia, emissões de gases de efeito estufa, mineração… embora as inteligências artificiais pareçam imateriais, elas não são - pelo contrário, demandam quantidades enormes de natureza para funcionar. Isso porque, para que existam, dependem, entre outras coisas, de grandes infraestruturas físicas: os chamados data centers. A partir da exibição da animação “Não somos quintal de data centers”, a proposta é abrir uma roda de conversa sobre o que está em jogo na atração dessas infraestruturas para o Brasil. A conversa parte da experiência do Idec na incidência política sobre o tema, no acompanhamento de casos concretos de instalação de data centers no país - como o do TikTok em Caucaia, no Ceará - e em campanhas de comunicação voltadas a tornar esses impactos mais visíveis. A ideia é colocar essas experiências em diálogo com diferentes perspectivas e perguntas, e, a partir disso, construir coletivamente caminhos de incidência e resistência frente ao modelo extrativista de desenvolvimento de IA que vem se impondo.
A internet costuma ser apresentada como algo imaterial, como se tudo existisse “na nuvem”. Mas o funcionamento das tecnologias digitais, especialmente das inteligências artificiais, depende de grandes estruturas físicas: os data centers. Com o avanço dessas tecnologias e a crescente demanda por armazenamento e processamento de dados, a expansão dessas infraestruturas vem se acelerando em todo o mundo, incluindo no Brasil.
Essa expansão, no entanto, tem impactos muito concretos. Data centers demandam grandes quantidades de energia, água, minerais e território, com efeitos diretos sobre ecossistemas e comunidades. Estimativas indicam, por exemplo, que um único data center de grande porte pode consumir tanta eletricidade quanto uma cidade de médio porte. No Brasil, esse crescimento tem sido impulsionado por políticas públicas e narrativas que associam essas infraestruturas à inovação, ao desenvolvimento econômico e à transição energética, sem transparência sobre seus custos e impactos, nem diálogo com a sociedade civil e os povos potencialmente atingidos por esses empreendimentos.
A atividade proposta parte da exibição da animação “Não somos quintal de data centers”, que apresenta de forma acessível as bases materiais das inteligências artificiais e os impactos socioambientais e climáticos associados à sua expansão. A partir desse ponto de partida, será realizada uma roda de conversa com o público presente.
A discussão será alimentada pela experiência do Idec na incidência política sobre o tema, no acompanhamento da agenda nacional de atração de data centers e em casos concretos de instalação dessas infraestruturas no país - como o do data center do TikTok em Caucaia, no Ceará, marcado por conflitos e violações de direitos territoriais - além de campanhas de comunicação voltadas a tornar esses impactos mais visíveis.
A proposta é construir um espaço de troca que conecte diferentes perspectivas, dúvidas e experiências em torno do tema. A partir desse encontro, buscamos refletir coletivamente sobre o que está em jogo na expansão das infraestruturas digitais e avançar na construção de estratégias de incidência e resistência frente ao modelo extrativista de desenvolvimento de IA que vem se consolidando.
Advogado, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e pós-graduando em Direito Ambiental. Atua com incidência e mobilização da juventude na Associação de Jovens Engajamundo, onde coordena o Grupo de Trabalho de Biodiversidade. É advogado do programa de Consumo Responsável e Sustentável do Idec. Vive no Rio de Janeiro (RJ).