09/05/2026 –, Chelsea Manning (Auditório) Idioma: Português brasileiro
Como garantir a logística de mantimentos para desabrigados sem entregar dados sensíveis a plataformas proprietárias ou depender de conexão estável? Esta palestra apresenta o desenvolvimento de um app em Shiny (R) para gestão de centros de triagem de doações, que evoluiu de uma solução em PowerBI para uma ferramenta de código aberto e foco em privacidade. Diferente de soluções SaaS tradicionais, o app permite que voluntários operem a gestão de estoque e consumo de forma local e offline, utilizando planilhas próprias sem que os dados subam para a nuvem. Discutiremos como a escolha de tecnologias abertas permite criar soluções resilientes, auditáveis e soberanas para movimentos sociais e coletivos em situações de emergência climática.
A palestra abordará o percurso técnico e político de uma ferramenta nascida no voluntariado em centros de desabrigados na PUCRS durante a crise climática no Rio Grande do Sul.
Os pontos principais serão:
* Discutiremos as limitações de custo, licenciamento e a "caixa-preta" das ferramentas Big Tech em contextos de ajuda mútua.
Exposição da arquitetura do app, que funciona como uma interface genérica. O software não armazena dados de pessoas vulneráveis em servidores externos; em vez disso, processa planilhas locais inseridas pelo usuário no momento do uso. Isso garante que o controle do dado permaneça com quem está na ponta.
Em desastres, a infraestrutura de rede é a primeira a falhar. Mostrarei como a portabilidade do R permite que a ferramenta seja baixada e executada localmente, garantindo que a gestão logística não pare por falta de internet.
Como testar e disponibilizar ferramentas para o público sem expor a realidade logística sensível de abrigos reais, utilizando técnicas de simulação de dados para demonstração e desenvolvimento coletivo.
O objetivo é inspirar outros desenvolvedores e cientistas de dados a construírem ferramentas que priorizem a soberania computacional e a proteção de dados em contextos onde a eficiência logística é vital, mas a vigilância e o controle corporativo são riscos reais.
Iara Passos é Engenheira de Dados, mestre em Sociologia e concluinte do curso de Estatística pela UFRGS. Com uma trajetória focada no cruzamento entre dados e sociedade, pesquisa temas como colonialismo digital e vulnerabilidade algorítmica. Atua fortemente na promoção da diversidade na tecnologia, sendo fundadora do capítulo R-Ladies Porto Alegre e organizadora da AI Inclusive. Defensora do software livre e da soberania computacional, desenvolve projetos de código aberto com foco em autonomia e logística humanitária.