CryptoRave 2026

Deivison Faustino

Deivison Faustino, também conhecido como Deivison Nkosi, é doutor em sociologia e professor do Departamento de Saúde e Sociedade da FSP-USP. Estuda a relação entre capitalismo, colonialismo e racismo, pensamento antirracista e as relações contemporâneas entre tecnologias digitais, sociedade e subjetividade, bom como a relação entre racismo algorítmico e digitalização da saúde. É autor de inúmeros livros e artigos sobre Frantz Fanon e as tecnologias digitais.


Sessions

08/05
20:00
50minutos
A nova tokenização da velha guerra: armas autônomas e ciberguerra
Walter Lippold, Deivison Faustino, Cian Barbosa

Cian Barbosa (Unifesp/UFRJ, colunista Opera Mundi), Deivison Faustino (USP, coautor de Colonialismo Digital) e Walter Lippold (UFRGS, coautor de Colonialismo Digital).
Essa mesa aborda três aspectos intrigantes das ciberguerras atuais: 1.⁠ ⁠a infraestrutura digital como extensão do complexo industrial militar 2.⁠ ⁠⁠a mudança de paradigma dos sistemas autônomos de armas (AWS) para a sistemas totalmente autônomos de armas (FAWS) e 3.⁠ ⁠⁠a dialética cibernética-cinética das novas tecnologias de morte. Os casos recentes de emprego de armas autônomas na indústria da morte, reflete uma tendente dissolução das fronteiras entre civil e militar, cinético e cibernético, de tal forma que podemos considerar todo o relevo digital como um campo onde ambas esferas coexistem simultaneamente. Esses sistemas são desenvolvidos para dinamizar e acelerar a chamada kill chain, literalmente a cadeia de produção da morte em organização industrial-militar, articulando o processo em escalas, do local ao global. Eles integram Big Data com informações de perfis pessoais nas redes, até a triangulação de dados geo-espaciais, para selecionar suspeitos e determinar execuções. Nessa integração, utilizam-se ativamente as I.A.s mais populares, como o ChatGPT, da empresa OpenAI, que firmou um contrato de 200 milhões de dólares com o governo Trump.

Tecnopolítica
Chelsea Manning (Auditório)
08/05
21:00
110minutos
Por uma crítica à digitalização da saúde: geopolítica, poder e cuidado em tempos de colonialismo digital
Deivison Faustino, Letícia Gabrielle Souza, Marcelo Fornazin

O campo da saúde vem sendo profundamente transformado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). A combinação inédita de uma ampla disponibilidade de dados sobre a vida e a experiência humana, associada ao aumento no poder computacional acessível e reprodutível, tem permitido o aperfeiçoamento exponencial das práticas de diagnóstico, gestão e análise de dados e, ao mesmo tempo, desafia noções já consolidadas de cuidado, bem-estar e saúde.

No entanto, há uma crescente preocupação e evidência de que essas tecnologias podem incorporar e amplificar vieses sociais diversos baseados em gênero, raça, língua, território, etc. Ao mesmo tempo, a plataformização da saúde abre precedentes para novas formas de exploração do trabalho, expropriação de biodados, e a datificação comercializada da saúde física e mental. O conceito de colonialismo digital problematiza a dependência tecnológica de países em desenvolvimento às Big Techs.

Essa mesa busca debater as contradições sociais e econômicas e geopolíticas próprias à chamada “digitalização da saúde”

Tecnopolítica
Terraço (3º piso)