Máquinas aprendizes; humanos atarefados. Inteliência artificial e trabalho alienado no "capital informação"
Neste livro sobre máquinas aprendizes e humanos ata-refados, a autora dedica-se ao tema do desenvolvimento das forças produtivas na nova indústria da inteligência artificial, problematizando a profecia autorrealizável e a retórica emocional segundo as quais suas inovações mais recentes eliminariam todo e/ou qualquer trabalho vivo. Como revela a análise do processo de trabalho nesta in-dústria, baseada em grandes modelos de linguagem natural que fazem uso extensivo de dados tratados via plataformas de micro-tarefas, o "capital-informação" tende a um duplo movimento (contraditório e combinado) de subsunção real do trabalho digital ou informacional tanto em sua forma predominantemente criativa (i.e., aleatória), quanto em sua forma predominantemente repetitiva (redundante). Afinal, a produção de componentes lógicos (software) nesta indústria depende tanto do trabalho vivo criativo e bem remunerado de quem concebe, nos centros geográficos do capitalismo, os extensos conjuntos de dados tratados e os grandes modelos de linguagem natural da inteligência artificial, quanto do trabalho vivo repetitivo e mal remunerado de quem, das periferias geográficas deste sistema econômico, faz a coleta, a classificação, o armazenamento, a recuperação e a disseminação destes dados.