Walter Lippold, Deivison Faustino, Cian Barbosa; Conferencia
Cian Barbosa (Unifesp/UFRJ, colunista Opera Mundi), Deivison Faustino (USP, coautor de Colonialismo Digital) e Walter Lippold (UFRGS, coautor de Colonialismo Digital).
Essa mesa aborda três aspectos intrigantes das ciberguerras atuais: 1. a infraestrutura digital como extensão do complexo industrial militar 2. a mudança de paradigma dos sistemas autônomos de armas (AWS) para a sistemas totalmente autônomos de armas (FAWS) e 3. a dialética cibernética-cinética das novas tecnologias de morte. Os casos recentes de emprego de armas autônomas na indústria da morte, reflete uma tendente dissolução das fronteiras entre civil e militar, cinético e cibernético, de tal forma que podemos considerar todo o relevo digital como um campo onde ambas esferas coexistem simultaneamente. Esses sistemas são desenvolvidos para dinamizar e acelerar a chamada kill chain, literalmente a cadeia de produção da morte em organização industrial-militar, articulando o processo em escalas, do local ao global. Eles integram Big Data com informações de perfis pessoais nas redes, até a triangulação de dados geo-espaciais, para selecionar suspeitos e determinar execuções. Nessa integração, utilizam-se ativamente as I.A.s mais populares, como o ChatGPT, da empresa OpenAI, que firmou um contrato de 200 milhões de dólares com o governo Trump.
Rede Transfeminista de Cuidados Digitais, Sol V; Taller de larga duración
Prontes para a festa? Faremos um cadáver magnífico de poemas cyberpunks onde seremos, ume, seremos ninguém e seremos cem mil. Seremos outres.
Baile Monstrans convida: Máscaras, maquiagem, óculos espelhados, refletores hológraficos, luzes de led, glitter e strass refletor. Algum desses ajuda mesmo a enganar o face ID, a IA e o reconhecimento facial? Venha descobrir e seja Monstra!
Vamos criar e experimentar com eletrotêxteis e buscar alternativas desde perspectivas de transidentidades e tecnopolíticas, criaremos acessórios para questionar a vigilância que perfila, monitora, padroniza e vende nossos dados.
Este ano o Baile Monstrans convida o grupo MODATA USP e seu trabalho com upcycling e, pela primeira vez no Brasil, a pesquisadora, hackativista e artista argentina Sol Verniers que conduzirá as experimentações a partir do seu trabalho com Cybertextiles, usando técnicas electrotextiles/wearables específicas de art-tech-hacktivismo para criar em prol da diversidade e da resistência tecnológica desde a América Latina.
Este será um espaço seguro para pessoas LGBTQIAPN+ e gêneros dissidentes.
Rildo Souza; Conferencia
Nesta palestra, a ideia é apresentar o CiberRange, uma plataforma hiper-realista de simulação de ataque e defesa cibernética criada para apoiar o programa Hackers do Bem, do MCTI. Alinhada ao desafio de democratizar o conhecimento tecnológico e romper barreiras econômicas, a ferramenta é 100% virtualizada e dispensa infraestrutura cara por parte dos usuários. Vamos demonstrar como o uso de cenários práticos e gamificados (CTFs, Wargames) descentraliza o ensino de cibersegurança, ajudando a formar de maneira plural uma nova geração de profissionais para garantir a autonomia tecnológica e a soberania digital do Brasil.
ArenitaSoria; Taller de corta duración
A partir de una dinámica corporal, las personas asistentes se convertirán en "nodos" por los que pasan los paquetes de información, y juntas re-crearemos el protocolo TCP/IP, que es bajo el que funciona todo Internet. Reflexionaremos las implicaciones de este protocolo que fue creado en los setentas, sus limitaciones, sus ventajas y sus nuevas posibilidades. Entenderemos qué es un servidor, un DNS, un navegador, y en general, intentaremos clarificar el funcionamiento de la maquinaria que revolucionó las comunicaciones desde el siglo XX y con ello, imaginar nuevas posibilidades.
Marcus Natrielli; Conferencia
A palestra apresentará os problemas de segurança e privacidade do Discord e do Roblox e como eles levaram a implementação da verificação de idade em ambas que trouxe novos debates e complicações.
Marcha Mundial das Mulheres (MMM); Taller de corta duración
Para muitos movimentos sociais e feministas, as técnicas e tecnologias nunca foram neutras, e sempre foram configuradas como territórios em disputa, a serviços de quem as cria e as mantém. A pauta da soberania tecnológica é estratégica e urgente no enfrentamento feminista às transnacionais e o capitalismo digital. O enfrentamento ao poder corporativo atravessa os diversos territórios e povos da América Latina, unindo mulheres em alianças feministas anticapitalistas que valorizam as tecnologias alternativas e populares, colocando a soberania popular, o bem viver e a sustentabilidade da vida no centro.
A roda de conversa propõe um espaço de trocas e diálogos a partir da experiência das mulheres em movimento, grupos e coletivos que tem construído resistências a partir de processos de apropriação crítica, formação e socialização de conhecimentos. Experiências como as de redes e infraestruturas digitais comunitárias, de educação e comunicação popular, de apropriação crítica de ferramentas de IA, nos cuidados digitais feministas, das redes e grupos agroecológicos e da economia solidária, trazem possibilidades para fazer a politização e disputa de uma perspetiva sobre tecnologia muito mais ampla, valorizando dando visibilidade um gigantesco ecossistema de saberes, técnicas e tecnologias sociais, populares e ancestrais, abrindo caminhos para a construção da tecnodiversidade.
Larissa Macêdo; Conferencia
A palestra abordará como artistas negros e indígenas brasileiros atuam como agentes críticos no hackeamento, remixagem e reprogramação simbólica de sistemas algorítmicos por meio de suas práticas artísticas compartilhadas nas redes sociais. Situada nas encruzilhadas entre arte, inteligência artificial (IA) e plataformas sociais digitais, a atividade se apoia em sistemas de conhecimento ancestrais, perspectivas contracoloniais e formas de resistência política e criativa para demonstrar como as redes sociais podem ser disparadores de outras perspectivas artísticas e comunicacionais. Práticas artísticas que confrontam as lógicas hegemônicas de visibilidade algorítmica e desafiam a infraestrutura tecnocolonial das redes sociais. A encruzilhada aparece como princípio que articula a rede social como território e enquanto "boca que tudo come", conceito inspirado em Exu Enugbarijó desenvolvido por Larissa Macêdo, para traçar as ambivalências presentes nos sistemas de IA. Com isso, é possível demonstrar como a encruzilhada permite compreender processos comunicacionais que desafiam relações de poder em espaços digitais a partir de uma perspectiva afrodiaspórica que ativa outras formas de compreender e de lidar com esses sistemas.
Sergio Amadeu da Silveira; Conferencia
A exposição decodifica os motivos pelos quais a extrema direita do país foi incumbida de entregar as terras raras do Brasil para o controle norte-americano. Mostrará a geopolítica dos insumos fundamentais das tecnologias estratégicas e trará as perspectivas para conter o cenário de uma guerra generalizada que nos arrastaria para a completa catástrofe ambiental.
Júlia Caldeira; Proyección de película
A biometria facial é um dado pessoal sensível. Apesar disso, sua solicitação ocorre diariamente em estádios de futebol, condomínios e mesmo na segurança pública. Esse uso invasivo e constrangedor ocorre sem fiscalização adequada e sem considerar o consentimento dos indivíduos. O resultado é um potencial de alto risco, contemplando possíveis vazamentos de dados e consequências voltadas à discriminação em massa de pessoas já marginalizadas.
Em vista a esse contexto, o Instituto de Defesa de Consumidores (IDEC) lança a campanha “Quem vê cara, não vê permissão”, fundamentada em ações já realizadas pelo Instituto. Dentre elas: denúncias ao sistema de reconhecimento facial do Gov.br; a vitória contra a imposição de biometria facial em condomínios e pressões à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A campanha pretende informar e convocar os consumidores para a pauta, tornando-os cada vez mais conscientes dos riscos diários, possíveis respostas e atos de resistência. O IDEC intensificará suas ações de luta e incidência política, mobilizando os atores envolvidos e cobrando a responsabilização das empresas violadoras de direitos.
O lançamento da campanha será um primeiro momento de apresentação e convite para que as pessoas interessadas se envolvam e sigam acompanhando as ações do IDEC.
Anchises Moraes; Conferencia
A Inteligência de Ameaças Cibernéticas (Cyber Threat Intelligence, ou CTI) é uma disciplina em, Segurança da Informação que permite, às empresas, se antecipar aos ciber ataques e potenciais riscos. Vamos falar sobre o que é CTI e como as empresas podem utilizá-la de forma efetiva.
Júlia Caldeira, Lauro Accioly, Lucas Lago; Taller de larga duración
No final de 2025, documentos internos da Meta foram vazados, divulgando dados relevantes sobre sua receita, tal como que anúncios de golpes e produtos ilegais renderam um valor de $16 bilhões à empresa. O ocorrido ilustra como o atual modelo de negócios das plataformas digitais prioriza o lucro em detrimento à segurança dos usuários. Ao invés de serem desenvolvidos mecanismos mais apurados em relação à política de anúncios e moderação de conteúdo, observa-se apenas a adoção de medidas ineficientes ou mesmo uma inércia por parte dos provedores. Em paralelo, usuários estão sendo enganados a todo momento, com destaque para o uso de deepfakes nos casos, que os deixam mais sofisticados e assim somam vítimas com diferentes níveis de letramento digital. Em sua diversidade, há golpes que miram famílias de baixa renda ou programas do governo (tal como o Desenrola Brasil); há aqueles que se aproveitam do uso de deepfakes, malwares e marketplace falso ou mesmo casos voltados para enriquecimento rápido e com pessoas famosas. Nessa oficina, pretendemos explorar o tema descrito em dois momentos: um primeiro expositivo, de apresentação do tema, e outro prático, em que serão abordadas boas práticas, cuidados digitais e maneiras de identificar anúncios fraudulentos.
Ruthelly Valadares; Mesa redonda
Esta mesa redonda se propõe confluir em roda, debatendo e apresentando os resultados do primeiro projeto de Geração Cidadã de Dados feito num Quilombo Amazônico. É o projeto Quilombo Sem Lixo,
um processo que foi construído integralmente no Quilombo Oxalá de Jacunday localizado no Território Quilombola de Jambuaçu, em Moju-PA com a coordenação e liderança de moradores do Quilombo que construíram seu próprio Plano de Geração Cidadã de Dados.
Larissa Milhorance; Taller de larga duración
A oficina se propõe como um espaço de aprendizagem, troca e luta por Justiça Ambiental, bem como navegará pelos dos impactos causados pelo “avanço do desenvolvimento” tecnológico, que tem prejudicado as formas de vida de diversas populações. Durante a oficina apresentaremos uma metodologia de cartografia dos danos ambientais causados por tecnologias, desenvolvida pelo C-PARTES em parceria com o TechMOV, e mediaremos um processo de aprendizagem e troca sobre experiências de articulação comunitária para ação.