– , Tula Pilar (piso térreo) Language: Português brasileiro
No contexto das Big Techs, o UX Design tem servido principalmente para tornar experiências exploratórias mais palatáveis e desejáveis, ajudando a naturalizar a presença dessas plataformas no cotidiano. Alinhado à Ideologia Californiana, esse movimento sustenta a ideia de uma tecnologia neutra e universal, enquanto encobre interesses e relações de poder bem localizadas.
É a partir daí que propomos uma roda de conversa: não apenas criticar esse modelo, mas abrir espaço para outras formas de pensar e fazer tecnologia. A partir de perspectivas latino-americanas e práticas situadas, coletivas e críticas, busca-se evidenciar que existem caminhos dissidentes em construção. Mais do que denunciar o momento crítico em que vivemos, a proposta é imaginar e experimentar outros futuros, pensando o design não como suavizador de problemas, mas como ferramenta para criar novos mundos.
Tem gente que ainda acredita que o design existe apenas para deixar as coisas bonitas. É também. Mas, no contexto das Big Techs, ele tem operado sobretudo para tornar experiências exploratórias em produtos palatáveis e desejáveis. O UX Design, nesse caso, não apenas embeleza interfaces, mas contribui para naturalizar a presença das das BigTechs na vida cotidiana. Essa lógica está profundamente alinhada à chamada Ideologia Californiana, matriz que sustenta o Vale do Silício e que combina liberalismo libertário com uma utopia tecnossolucionista, promovendo a ideia de que a tecnologia, por si só, seria capaz de resolver os problemas do mundo de forma neutra e universal.
Mas esse “universal” tem endereço, contexto e interesses bem definidos. E é justamente nesse ponto que esta proposta de roda de conversa se insere. O que se propõe aqui não é apenas uma crítica a esse modelo, mas a abertura de um espaço para pensar e compartilhar outras formas de fazer e imaginar tecnologia. A partir de perspectivas latino-americanas e de práticas de design situadas, coletivas e críticas, a roda busca evidenciar que existem caminhos dissidentes sendo construídos.
Ao longo da conversa, serão discutidos temas como capitalismo de vigilância, regulação de plataformas e os limites do modelo atual de produção tecnológica. Também entra em pauta a soberania digital, a federação de redes e a construção de infraestruturas autônomas, bem como o papel do design na articulação dessas possibilidades. Como exemplo prático, será apresentado o caso da Onda.Social, explorando como design, governança e sustentabilidade podem se combinar na criação de redes sociais descentralizadas, menos tóxicas e orientadas ao bem comum.
A relevância dessa discussão para o evento está justamente na sua capacidade de conectar crítica e prática. Em um momento em que parece mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo, torna-se urgente criar espaços que não apenas denunciem, mas que também experimentem e projetem outros futuros possíveis.
Essa roda é um convite para pensar o design não como ferramenta de suavização das dores causadas pelo próprio sistema, mas como instrumento para a construção de novos mundos.
Proposta de cultivo de Redes Sociais Solidárias, Federadas e Sustentáveis como Alternativa Ética às Big Techs, Fortalecendo a Soberania Digital e a Economia Solidária.