CryptoRave 2026

Navegando em riscos e resistências na era dos apps de relacionamento
2026-05-09 , Sala de Exposições (3º piso)
Language: Português brasileiro

Em um cenário de precarização do trabalho, escala 6x1 e pulverização do papel coletivo para apresentar potenciais parceiros, os apps de relacionamento prometem conexões rápidas, direcionadas e personalizadas. Essa promessa se choca com a realidade dos riscos de segurança e privacidade. Esta atividade propõe uma imersão nos incidentes que já expuseram milhões de usuários e suas consequências, desde o vazamento do Tea Advice (serviço criado para ser um espaço de proteção) até a exposição de sorologia de usuários do Grindr. Analisaremos os casos ocorridos e como o impacto ocorre de forma desproporcional em grupos mais vulnerabilizados, que enfrentam estigmas, discriminação e violência. Também apresentaremos o contraponto do hacking como forma de resistência para plataformas violentas de relacionamento, como a atuação de Martha Root contra um serviço de dating para supremacistas brancos. Ao final, teremos um debate colaborativo, buscando caminhos para serviços de relacionamento mais seguras e como atuar de forma resistente nesse tipo de cenário.


Os aplicativos de relacionamento emergiram há mais de uma década como ferramentas ubíquas para a busca de conexões afetivas e sexuais. Contudo, a praticidade e conveniência que esses serviços trouxeram vieram acompanhados de uma complexa teia de riscos à segurança e privacidade dos usuários, muitos deles sendo diretamente negligenciados (como o caso da denúncia feita pelo The Dating Apps Reporting Project, que aponta o conhecimento da Match Group sobre a presença de condenados por crimes sexuais nas plataformas). A proposta da atividade é debater esse problema, com foco nos incidentes de segurança mais recentes e suas implicações, especialmente para grupos já vulneráveis na sociedade.
Iniciaremos com uma exposição dos casos mais recentes, que ilustram a gravidade da situação, como o caso do Tea Advice, projetado pra segurança de mulheres e que teve dados de mais de 70 mil usuárias vazados no 4chan; do Grindr, que compartilhou dados sobre sorologia de usuários com terceiros, levantando questões éticas e de estigmas; o caso do Sapphos, desativado após uma falha crítica que concedia acesso às fotos utilizadas para verificação de identidade; além da denúncia do The Dating Apps Reporting Project sobre a negligência ocorrida dentro da Match Group em relação a manutenção de usuários condenados por crimes de violência sexual, além de vazamentos recentes de dados. Debateremos o impacto dos incidentes para grupos vulneráveis e como a violação da privacidade representa uma ameaça amplificada.
Em um segundo momento, como contraponto, mostraremos como o hacking pode ser utilizado como resistência no campo do dating. Abordaremos o caso recente de Martha Root, que se infiltrou e desativou um site de relacionamento para supremacistas brancos (White Date), mostrando como o hacktivismo também é importante na proteção de comunidades marginalizdas.
Em um terceiro momento, teremos uma discussão colaborativa, onde os participantes serão convidados a refletir sobre a responsabilidade das plataformas, a importância de um design de privacidade e o papel da regulamentação nesses casos. O objetivo é fomentar um diálogo construtivo para imaginar e construir um futuro para os relacionamentos online que seja mais seguro, privado e inclusivo, onde a tecnologia promova conexões autênticas sem integridade e a segurança dos indivíduos.

Doutoranda em Ciências Humanas e Sociais pela UFABC. Participante do LabLivre/UFABC. Pesquisadora sobre intimidades digitais e debate sobre (a)sexualidade(s) no projeto Hacking Sex.