CryptoRave 2026

Ferramentas de Resistência Algorítmica: do Básico ao Avançado
2026-05-09 , Ian Murdock (Sala Multiuso no térreo)
Language: Português brasileiro

A oficina introduz práticas de resistência algorítmica defensiva por meio da adoção de softwares abertos, privados e livres para reduzir exposição à vigilância e à coleta de dados. Parte de conceitos centrais como soberania digital, tecnofeudalismo e os efeitos das grandes plataformas sobre comportamento e privacidade, seguida por discussão sobre a importância de uma internet democrática, licenças abertas e formas de auditar software. A parte prática envolverá apresentação e instalação de alternativas tecnológicas práticas para o uso cotidiano, desde ferramentas fáceis de adotar (navegadores, buscadores e bloqueadores) até soluções mais robustas, como e‑mail privado, VPNs e sistemas operacionais. Também será abordado o Fediverso, seus protocolos e plataformas descentralizadas, com demonstração prática de criação de perfil e configuração de privacidade. Por fim, serão trazidos exemplos institucionais de implantação de servidores próprios, discussão de barreiras técnicas e políticas e proposição de estratégias de migração gradual, além de debate com os(as) participantes.


De acordo com Emiliano Treré e Tiziano Bonini, Resitência Algorítimica consiste em “um convite para imaginar e colocar em prática formas alternativas de engajamento com a tecnologia, baseadas não na dominação e na ação unilateral, mas na cooperação, na solidariedade, na contestação e no cuidado”. Nesse sentido, a presente oficina propõe apresentar práticas de resistência algorítmica defensiva por meio de softwares abertos, livres e privados como formas de proteção ao capitalismo de vigilância e coleta massiva de dados. Para tanto, é proposto a seguinte estrutura com divisão aproximada de duração para cada etapa:

PROGRAMA DA OFICINA

  1. Abertura e apresentação (5 min)
    * Introdução: apresentação de conceitos e exemplos de Resistência Algorítmica Defensiva, como práticas web individuais e coletivas para reduzir exposição e impacto de algoritmos e vigilância.

  2. Por que soberania digital importa (10 min)
    * Definições: soberania digital, tecnofeudalismo, colonialismo digital;
    * Impactos das Big Techs: modelagem de comportamento, vigilância e comércio de dados;

  3. Internet aberta e livre (15 min)
    * Internet democrática, desafios (censura, monopólio, capitalismo de vigilância).
    O que são softwares livres, abertos, licença copyleft*, como auditar softwares, exemplos de repositórios para encontrá-los;

  4. Open Source e alternativas práticas (30 mins)
    * Recomendação e instalação de software com base no equilíbrio entre conveniência versus privacidade, em três níveis para adoção no cotidiano. Exemplos:
    a. Nível fácil: navegadores, buscadores, bloqueadores de anúncio e de rastreadores, IAs, suítes de criatividade e produtividade;
    b. Nível moderado: e-mails privados, aliases, gerenciadores de senha, VPNs;
    c. Nível avançado: mudança de sistema operacional (computador e celular) e apps de mensageria.

  5. Fediverso: arquitetura e plataformas (15 min)
    * Conceito, protocolos (ActivityPub), plataformas (Mastodon, Pixelfed, PeerTube);
    * Princípios: descentralização, interoperabilidade, moderação local.

  6. Demonstração prática: criar perfil e primeiros passos (20 min)
    * Escolher instância, criar conta, configurar perfil, seguir, publicar, usar hashtags.
    * Boas práticas de privacidade e segurança; exemplo ao vivo.

  7. Casos institucionais e implantação (8 min)
    * Exemplos de servidores institucionais e uso oficial (ex.: Nudecri da Unicamp), universidades, ONGs.
    * Motivações e passos para montar servidores próprios e governança.

  8. Debate sobre desafios institucionais e encerramento (10 min)
    * Barreiras técnicas, políticas e estratégias de migração gradual;
    * Perguntas do público, dúvidas e recomendações de materiais, comunidades e leituras.

Doutor em artes visuais (Unicamp) e em interação humano-máquina (Helmut Schmidt University), mestre em educação e graduado em educação musical (UFSCar). Atualmente é pós-doutorando e divulgador científico do Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, Recod.ai. Ativista digital em prol da privacidade e do software livre e aberto. Perfil no Mastodon: https://ursal.zone/@rgbd

Venezuelano, Doutor em políticas de ciência e tecnologia (Unicamp), mestre em Estudos Sociais da Ciência (IVIC - Venezuela), e aluno da especialização em jornalismo científico e cultural (Labjor/Unicamp). Pesquisa sobre governança da internet, soberania digital e redes sociais alternativas (Fediverso).