CryptoRave 2026

Como (e por que) criar um canal de whistleblowing seguro para responsabilizar big techs
2026-05-09 , Edward Snowden (Auditório da Hemeroteca)
Language: Português brasileiro

A CTRL+Z é uma nova organização brasileira focada em enfrentamento e responsabilização de big techs. Atuaremos em três eixos: mobilização, litígio e jornalismo investigativo. Para isso, estamos construindo um canal seguro de whistleblowing para a divulgação de informações de interesse público sobre big techs. Neste workshop, ofereceremos um contexto na cobertura de tecnologia e responsabilização de big techs, ferramentas práticas e frameworks estratégicos para expor más práticas corporativas. A sessão abordará como fazer e receber denúncias com segurança, construir canais seguros, verificar e investigar informações, e avaliação de riscos jurídicos nesse processo.


Mais ricas e poderosas que muitos países, big techs precisam de accountability robusto e escrutínio público – o que só é possível garantindo transparência sobre suas ações, decisões corporativas e impactos nas pessoas. As crises mais significativas enfrentadas por essas imensas corporações foram provocadas por vazamentos internos de funcionários que se cansaram de testemunhar ações ilegais e imorais e decidiram agir, expondo o modus operandi dessas empresas. Trabalhadores dentro dessas corporações testemunham em primeira mão a criação de políticas que priorizam o lucro à proteção das pessoas, as práticas extrativistas do desenvolvimento de IA e as sucessivas tentativas de burlar regulações locais, desafiando nações soberanas.

É por isso que a CTRL+Z está trabalhando para construir um canal de denúncias, e quer compartilhar essa experiência.

A estrutura proposta para o workshop é:

  1. Contexto
    Fundamentos de segurança digital (criptografia, ferramentas de anonimato, remoção de metadados)
    Proteções legais e riscos para denunciantes
    Documentação segura de evidências
    Avaliação de risco pessoal e tomada de decisões informadas
    Por que falhas de transparência interna tornam o whistleblowing necessário
    O efeito inibitório de NDAs, vigilância e retaliação

  2. Como criar e manter um canal seguro de denúncias
    Infraestrutura técnica
    Construção de confiança com potenciais fontes
    Requisitos de recursos e sustentabilidade

  3. Como jornalistas e organizações podem investigar denúncias de forma responsável
    Metodologias de verificação
    Melhores práticas de proteção de fontes
    Considerações éticas na publicação de informações sensíveis
    Coordenação com equipes jurídicas e grupos de advocacy

  4. Transformando denúncias em ação
    Estudos de caso: campanhas de whistleblowing bem-sucedidas (Cambridge Analytica, Frances Haugen, vazamentos sobre moderação de conteúdo)

Na prática:
Análise de casos reais: Discussão de casos concretos de whistleblowing em Big Techs, incluindo sucessos e histórias de alerta
Demonstração prática: Configuração básica de ferramentas de comunicação seguras
Compartilhamento de recursos: Guia abrangente de organizações de apoio a denunciantes, redes de assistência jurídica e ferramentas técnicas

Público-alvo
Jornalistas cobrindo tecnologia
Organizações da sociedade civil
Profissionais do direito que apoiam denunciantes
Organizadores de cooperativas e coletivos explorando modelos alternativos de tecnologia

Resultados esperados
Compreensão dos fundamentos técnicos e legais do whistleblowing seguro
Conhecimento prático para criar ou apoiar sistemas seguros de denúncia
Capacidade de verificar, investigar e agir sobre informações de denunciantes
Reconhecimento do papel estratégico das denúncias em campanhas mais amplas de responsabilização
Conexão com uma rede de profissionais trabalhando em responsabilização de big techs
Ferramentas e recursos concretos para tomar ação imediata.

Tatiana Dias é uma jornalista investigativa especializada em tecnopolítica e direitos humanos. Hoje é fellow do Tech Policy Press e diretora de programas da CTRL+Z. Antes, foi AI Accountability Fellow do Pulitzer Center em 2023-2024, onde conduziu a investigação ‘O chão de fábrica da IA'. Por sete anos, foi editora e editora executiva do Intercept Brasil, onde coordenou coberturas especialmente nas áreas de tecnologia, vigilância e direitos digitais. Foi vencedora do 36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo na categoria digital, finalista do Prêmio Gabo em 2023 e nomeada ao One Media Award na categoria impacto ambiental em 2020.