2026-05-08 –, Chelsea Manning (Auditório) Language: Português brasileiro
A íris é um dos identificadores mais precisos do ser humano — única até entre os próprios olhos de uma mesma pessoa, formada aleatoriamente e praticamente imutável ao longo da vida.
Mas o que acontece quando essa identidade passa a ser tratada como token e vendida como ativo digital?
Nos últimos anos surgiram iniciativas que oferecem tokens, criptomoedas ou benefícios digitais em troca da coleta de biometria, transformando características biológicas em ativos digitais e inaugurando um novo fenômeno: o mercado da identidade biodigital.
Nesta palestra discutimos os riscos técnicos, sociais e de segurança desse modelo — e o paradoxo que ele revela: enquanto desenvolvemos sistemas cada vez mais sofisticados para proteger identidades digitais, começamos a criar um mercado que incentiva justamente a comercialização da própria identidade.
Com exemplos e visão crítica, refletimos sobre os limites da autenticação biométrica, as vulnerabilidades dessa nova arquitetura de identidade e o que está em jogo quando o próprio corpo vira produto.
Porque, no fim das contas, a sua identidade — você — não deveria estar à venda.
À medida que sistemas digitais se tornam mais críticos, também cresce a necessidade de mecanismos de autenticação cada vez mais robustos. Ao longo das últimas décadas evoluímos de senhas simples para tokens, autenticação multifator (MFA) e, mais recentemente, para sistemas baseados em biometria.
Esse movimento responde a um problema real da segurança da informação: provar de forma confiável que uma identidade digital corresponde a uma pessoa real.
No entanto, essa busca por mecanismos cada vez mais fortes de autenticação começa a produzir um fenômeno inesperado. Nos últimos anos surgiram projetos que oferecem tokens, criptomoedas ou benefícios digitais em troca da coleta de dados biométricos. O que antes era apenas um mecanismo de autenticação passa a se transformar em um ativo negociável.
Nesse contexto, características biológicas como íris, rosto ou impressão digital passam a integrar um novo mercado emergente: o mercado da identidade biodigital.
Essa transformação levanta uma questão fundamental para a segurança da informação. Diferente de senhas, tokens ou chaves criptográficas, dados biométricos são irreversíveis. Uma vez coletados ou comprometidos, não podem ser revogados, redefinidos ou substituídos.
Quando identidades biológicas passam a circular dentro de sistemas digitais e, ao mesmo tempo, passam a ser tratadas como ativos econômicos, surgem novas tensões entre segurança, privacidade e mercado.
A partir de uma perspectiva de qualidade de software e segurança da informação, esta palestra analisa os impactos técnicos, sociais e arquiteturais desse cenário. Mais do que discutir apenas biometria, a proposta é refletir sobre os riscos de transformar o corpo humano em credencial digital negociável.
Evangelista da Cultura da Qualidade e community builder, desenvolvo conteúdos e experiências que ampliam o olhar técnico sobre qualidade de software, conectando QA a temas como IA, acessibilidade, cultura organizacional e engenharia.
Atuo em comunidades STEM promovendo discussões sobre cultura, liderança, criatividade e sustentabilidade técnica. Como mentora, voluntária e embaixadora de movimentos como GRACE(ICMC/USP), WoMakersCode, Cantinho das QAS colaboro com a formação e integração de novos talentos (especialmente femininos) a área da tecnologia brasileira.
Compartilho conhecimento por meio de eventos como QA Solidário, IWD GDG, TDC e Minas Testing, DevOpsDays com conteúdos autorais conectando pessoas e tecnologia.