2026-05-08 –, Ada Lovelace (Sala Silenciosa no 2º piso) Language: Português brasileiro
Nossa relação com a tecnologia digital, embora pareça próxima e íntima, muitas vezes se mostra desconectada de nossos desejos, valores e formas de viver, refletindo escolhas de quem projeta essas ferramentas sem considerar a diversidade de experiências e necessidades ao redor do mundo. Criar espaços de desabafo para compartilhar frustrações, raiva e refletir sobre os impactos dessas tecnologias em nossos corpos e na sociedade ajuda a quebrar o silêncio sobre efeitos frequentemente ignorados, permitindo compreender coletivamente como afetam indivíduos, relações sociais e saúde mental, revelar padrões invisíveis no discurso dominante e abrir caminhos para práticas mais críticas, saudáveis e alternativas no cotidiano digital.
Mal-estar Digital (Tech Rant) é uma proposta mista que reunirá uma sessão mão na massa e uma instalação artística transfeminista que abordam de forma somática as tecnologias digitais que utilizamos.
Nossa relação com a tecnologia digital pode parecer próxima e íntima, mas muitas vezes se revela falha, desconectada dos nossos desejos, valores e formas de viver. Quem cria, desenvolve e mantém as tecnologias tem o poder de definir como interagimos com elas e como elas afetam nossos corpos e a sociedade. Essas pessoas, geralmente concentradas em locais como o Vale do Silício, possuem valores que não refletem a diversidade de culturas e realidades globais. Elas projetam tecnologias com uma visão limitada, focada em modelos de negócio, poder e dominção históricos e estruturais, indo de encontro a questões de diversidade, bem-estar e direitos humanos.
Criar espaços de desabafo, aonde seja possível compartilhar frustrações, raiva e refletir sobre os impactos das tecnologias em nossos corpos, ajuda a quebrar o silêncio sobre efeitos negativos frequentemente ignorados ou minimizados. Ao explorar coletivamente essas experiências, ampliamos a compreensão de como a tecnologia afeta não apenas o corpo individual, mas também as relações sociais e a saúde mental da comunidade. Essa reflexão compartilhada revela padrões muitas vezes invisíveis no discurso dominante e abre caminhos para práticas mais críticas e saudáveis, contribuindo para o bem-estar, e a criação de alternativas no cotidiano digital.
Sessão:
O objetivo da sessão é criar um espaço para que as pessoas reflitam e compartilhem suas críticas, sentimentos, mal estar, e o impacto que as tecnologias causam nos seus corpos. Com essa sessão, gostaríamos de trazer à tona os efeitos corporais e emocionais da nossa relação com as tecnologias.
De forma prática, a sessão vai se desenrolar a partir de perguntas disparadoras, onde as pessoas serão instigadas a expressar suas sensações, sentimentos e opiniões a partir de desenho ou escrita. Ao final, o que for produzido na sessão, se somará aos materiais que serão expostos na instalação.
Instalação:
Como instalação, teremos expostos os cartazes construídos na sessão, e cartazes em branco com o convite para as pessoas participantes do evento preencherem e deixarem suas impressões sobre suas relações com a tecnologia. Também teremos mp3 players disponíveis com áudios de pessoas "reclamando" da tecnologia e falando sobre sua relação com as tecnologias a partir do incomodo.
Luisa Bagope é diretora de documentários. Com o apoio da APC, tem documentado atividades de redes de internet comunitária no Sul global. Como parte da rede comunitária Portal sem Porteiras, Luisa coordenou o projeto Nodes That Bond, um processo de aprendizado coletivo feminista centrado na tecnologia por meio de encontros circulares. Ao lado de Marcela Guerra, trabalhou no desenvolvimento de conteúdos em formato de áudio, usando a ficção feminista como mote para a criação local e coletiva. Na iniciativa LocNet é coordenadora de gênero na America Latina e Caribe.