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Feminismo popular na construção da soberania tecnológica
Language: Português brasileiro

Para muitos movimentos sociais e feministas, as técnicas e tecnologias nunca foram neutras, e sempre foram configuradas como territórios em disputa, a serviços de quem as cria e as mantém. A pauta da soberania tecnológica é estratégica e urgente no enfrentamento feminista às transnacionais e o capitalismo digital. O enfrentamento ao poder corporativo atravessa os diversos territórios e povos da América Latina, unindo mulheres em alianças feministas anticapitalistas que valorizam as tecnologias alternativas e populares, colocando a soberania popular, o bem viver e a sustentabilidade da vida no centro.

A roda de conversa propõe um espaço de trocas e diálogos a partir da experiência das mulheres em movimento, grupos e coletivos que tem construído resistências a partir de processos de apropriação crítica, formação e socialização de conhecimentos. Experiências como as de redes e infraestruturas digitais comunitárias, de educação e comunicação popular, de apropriação crítica de ferramentas de IA, nos cuidados digitais feministas, das redes e grupos agroecológicos e da economia solidária, trazem possibilidades para fazer a politização e disputa de uma perspetiva sobre tecnologia muito mais ampla, valorizando dando visibilidade um gigantesco ecossistema de saberes, técnicas e tecnologias sociais, populares e ancestrais, abrindo caminhos para a construção da tecnodiversidade.


Para muitos movimentos sociais e feministas, as técnicas e tecnologias nunca foram neutras, e sempre foram configuradas como territórios em disputa, a serviços de quem as cria e as mantém. A tecnologia e a digitalização de todas as esferas da vida têm sido cada vez mais abordadas nos movimentos, que valorizam as tecnologias alternativas e populares, colocando a soberania popular, o bem viver e a sustentabilidade da vida no centro.
A pauta da soberania tecnológica é estratégica e urgente no enfrentamento feminista às transnacionais e o capitalismo digital. O enfrentamento ao poder corporativo atravessa os diversos territórios e povos da América Latina, unindo mulheres em alianças feministas anticapitalistas. Juntas, mulheres têm resistido e freado o avanço dessas empresas sobre seus modos de vida, conhecimentos tradicionais, a biodiversidade, e a democracia de seus países. As mulheres têm denunciado a ação das empresas do norte global e donas das plataformas de redes sociais digitais por onde passa toda a comunicação da maioria das populações, muitas vezes com anuência e vigilância de governos. Neste cenário a propagação da extrema direita, do conservadorismo, do racismo e da misoginia aqui no Brasil tem encontrado terreno fértil na internet e infraestruturas controladas por estes poderes.
A roda de conversa propõe um espaço de trocas e diálogos a partir da experiência das mulheres em movimento, grupos e coletivos que tem construído resistências na atual conjuntura. Compreendemos que os usos passam pela apropriação crítica, processos de formação e socialização de conhecimentos para romper barreiras de conectividade e acesso, assim como desigualdades estruturais de classe, raça, gênero, sexualidade e territórios, historicamente associadas às mulheres dos setores populares.
Experiências como as de redes e infraestruturas digitais comunitárias, de educação e comunicação popular, de apropriação crítica de ferramentas de IA, nos cuidados digitais feministas, das redes e grupos agroecológicos e da economia solidária, trazem possibilidades para fazer a politização e disputa de uma perspetiva sobre tecnologia muito mais ampla, valorizando dando visibilidade um gigantesco ecossistema de saberes, técnicas e tecnologias sociais, populares e ancestrais, abrindo caminhos para a construção da tecnodiversidade.
A Marcha Mundial das Mulheres (MMM) é um movimento feminista internacional de luta contra o patriarcado racista, capitalista e colonial. Aqui no Brasil, em 20 estados através de núcleos estaduais, municipais, grupos e coletivos territoriais.
Desde a sua criação (2000) a MMM atua nas lutas contra a lógica que transforma tudo em mercadoria, o trabalho, o tempo, os cuidados, os saberes e tecnologias das mulheres e povos em resistência. Por isso, reafirmamos um projeto político de soberania popular pautada na economia feminista como aposta para fazer o enfrentamento ao imperialismo das empresas transnacionais que invadem territórios e comunidades para explorar os bens comuns e destruir a identidade dos povos.
A superação de relações de dependência tecnológica e comunicacional passa necessariamente pelo rompimento da ideia de que tecnologia é assunto apenas de especialistas para se criar caminhos coletivos de enfrentamento às desigualdades e violências tendo como princípios os cuidados, autonomia, coletividade, solidariedade e segurança rumo à soberania tecnológica popular.