2026-05-09 –, Sala de Exposições (3º piso) Language: Português brasileiro
O Smart Sampa é um programa de monitoramento eletrônico lançado em 2023, orgulhosamente descrito por seus proponentes como "o maior da América Latina", que tem transformado significativamente o alcance e papel das redes de vigilância em São Paulo, através da conexão de um número crescente de câmeras públicas e privadas a uma plataforma compartilhada. Além disso, a despeito das admitidas falhas no seu funcionamento e na falta de evidências concretas de qualquer melhoria em termos de redução dos "crimes", tal modelo tem se expandindo rapidamente para outras cidades da região metropolitana e além.
Mas como isso tudo começou? São Paulo está no caminho de se tornar uma "smart city"? E o que isso realmente significa?
Para tentar responder a essas perguntas (ou pelo menos ajudar a levantar outras mais), retornamos às origens dessa política de vigilância e monitoramento, analisando os agentes e interesses envolvidos na sua implementação. Além disso, procurando contextualizar essa política específica em relação a tendências mais amplas, discutimos os próprios fundamentos que dão sustentação ao programa: o policiamento preditivo e a ideia das cidades inteligentes.
Seja ao observar a acelerada disseminação de totens de câmeras pelas ruas, por meio de propagandas no rádio e na TV ou através das reportagens sobre o "prisômetro" construído no centro de São Paulo e o cão-robô equipado com capacidades de reconhecimento facial, se você mora em São Paulo ou frequenta a metrópole, é provável que você já tenha ouvido falar do Smart Sampa. Este programa de monitoramento eletrônico, lançado em 2023, é orgulhosamente descrito por seus proponentes como "o maior da América Latina" e tem transformado significativamente o alcance e papel das redes de vigilância em São Paulo, através da conexão de um número crescente de câmeras públicas e privadas a uma plataforma compartilhada. Além disso, a despeito das admitidas falhas no seu funcionamento e na falta de evidências concretas de qualquer melhoria em termos de redução dos "crimes", tal modelo tem se expandindo rapidamente para outras cidades da região metropolitana e além.
Mas como isso tudo começou? São Paulo está no caminho de se tornar uma "smart city"? E o que isso realmente significa?
Para tentar responder a essas perguntas (ou pelo menos ajudar a levantar outras mais), retornamos às origens dessa política de vigilância e monitoramento, analisando os agentes e interesses envolvidos na sua implementação. Spoiler: o mercado imobiliário tem mais do que só um dedinho nisso. Além disso, procurando contextualizar essa política específica em relação a tendências mais amplas, discutimos os próprios fundamentos que dão sustentação ao programa: o policiamento preditivo e a ideia das cidades inteligentes. Assim, trazendo exemplos de outras partes do mundo, esperamos contribuir para uma crítica mais ampla e fundamentada das redes de vigilância que se expandem a nossa volta.
Doutoranda em Geografia Humana na Universidade de São Paulo (PPGH-USP), pesquisa as relações entre expansão imobiliária e formas controle socioespacial nas fronteiras centro-periferia de São Paulo, com bolsa FAPESP. Foi pesquisadora visitante no Laboratório de Estudos Críticos de Vigilância e Segurança da Universidade de Ottawa (CSS/Lab) entre 2025 e 2026. Desde 2021 integra o Laboratório de Análise em Segurança Internacional e Tecnologias de Monitoramento (LASInTec) na EPPEN-Unifesp.