CryptoRave 2026

Os datacenters vão beber toda água do mundo?
2026-05-09 , Ian Murdock (Sala Multiuso no térreo)
Language: Português brasileiro

Esta palestra explora o nexo entre água-energia-dados, analisa cenários futuros e discute soluções tecnológicas e regulatórias para manter as soberanias territoriais locais sobre os recursos ambientais.


Pesquisas recentes mostram que os data centers consomem muita água de forma direta e indireta. Diretamente, utilizam água para resfriamento, especialmente em sistemas evaporativos. O problema maior é que consumo parece crescer exponencialmente até 2030, impulsionado pela expansão da computação em nuvem e da inteligência artificial.

Indiretamente, o impacto é ainda maior: a geração de eletricidade, especialmente em usinas termoelétricas, demanda grandes volumes de água. Cada MWh consumido por um data center implica retirada e consumo adicional de água na matriz energética.

A inteligência artificial intensifica esse cenário. Estudos recentes indicam que, em alguns contextos, o consumo indireto pode superar o direto em proporções superiores a 3 vezes.

Globalmente, os data centers ainda representam uma fração pequena do consumo total de água doce quando comparados à agricultura, responsável por cerca de 70% das retiradas globais. No entanto, seu impacto é concentrado em regiões específicas, muitas vezes já sujeitas a estresse hídrico.

O problema, não é apenas volume de água consumido, mas a falta de governança pública para produzir a regulação necessária para obrigar a transparência dos projetos de datacenters, e sua responsabildade socioambiental. Caso não haja regulação, os dados beberão a água necessária para a qualidade de vida das pessoas, como já ocorre em Phoenix (EUA), Dublin (Irlanda) e Santiago (Chile).

Documentarista e Advogado. Bacharel em Direito pela FGV-SP. Pos-graduando em Direito Digital pelo ITS/UERJ e Mestrando em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos pela UNESP. Presidente da Associação Guardiã das Águas.