2026-05-08 –, Ada Lovelace (Sala Silenciosa no 2º piso) Language: Português brasileiro
Partindo das problematizações levantadas por Paul B. Preciado, esta atividade propõe uma reflexão sobre as tecnologias digitais como instrumentos tecnopolíticos que impactam na produção de desejos e na formação de subjetividades. Nesse sentido, os algoritmos serão abordados como instrumentos de biogestão? que influenciam diretamente a constituição dos corpos e das formas de vida atuais. A partir de conceitos como tecnobiopoder e tecnocolonialidade, abordaremos como as tecnologias digitais influenciam a visibilidade, o reconhecimento e a autoimagem, gerando o que denominamos de “disforia digital”: uma desconexão entre corpo vivido, imagem e pertencimento. Em formato de conversa, a atividade articula reflexão crítica e experiências cotidianas, buscando tornar perceptíveis os modos como plataformas interferem na organização dos afetos e das relações. Alargando a concepção sobre segurança digital para questões subjetivas, buscamos pensar coletivamente práticas de resistência e reinvenção no interior desses sistemas.
A proposta busca ampliar as discussões da CryptoRave ao conectar temas de privacidade e segurança digital com reflexões sobre corpo, desejo e subjetividade, partindo da ideia de que a tecnopolítica atua tanto no âmbito dos dados quanto na constituição subjetiva.
A atividade se desenvolverá em formato de conversa entre duas pessoas, combinando reflexão teórica, acontecimentos cotidianos e interação com os participantes. O formato proposto busca explorar, a partir de experiências concretas, os diferentes modos como tecnologias digitais e os sistemas de inteligência artificial impactam na formação de subjetividades.
O primeiro movimento reflexivo será o deslocamento da noção de tecnologia como ferramenta externa para algo que permeia e forma experiências subjetivas. Tendo como eixos gravitacionais os conceitos de tecnobiopoder e tecnocolonialidade, propostos por Paul B. Preciado, as exposições dialógicas pretendem provocar uma análise sobre o papel desses dispositivos nas formas de se apresentar, sentir e interagir na atualidade.
A discussão pretende, ainda, explorar os usos da inteligência artificial como tecnologia que impactam na geração de outras formas de linguagem, imaginação e pensamento. Esse segundo movimento reflexivo busca interrogar como a tecnopolítica atual transcende o corpo físico, impactando também o modo como pensamos e sentimos.
Com o objetivo é criar um ambiente de escuta e construção coletiva, sem uma divisão rígida entre apresentação e a discussão, os participantes serão estimulados a fazer intervenções através de perguntas provocadoras que serão lançadas a cada bloco expositivo.
Ao final, pretende-se obter um inventário de práticas de resistência sobre diferentes formas de habitar criticamente esses sistemas, usos desviantes e estratégias coletivas de reinvenção de si.
Fernanda Gomes é doutora em Filosofia pela PUC-SP (2019) com estágio doutoral na Université Paris Ouest Nanterre La Défense (França). Integra o Laboratório Filosofias do tempo do agora (Lafita/CNPq). Pesquisa os campos ético e político, com ênfase em filosofia contemporânea. Realiza pesquisa de pós-doutorado no PPGF-UFRJ como bolsista Faperj.
Eduardo Liron é mestre em Filosofia pela PUC-SP (2017), cineasta e desenvolvedore. Dirgiu filmes premiados e realizou obras interativas, XR e arte-tecnologia. Atualmente trabalha no curta "O Galo Santo", na série "Cantos de Trabalho", e desenvolve o app "AULA", promovendo democracia participativa em escolas alemãs.
Fernanda Gomes é doutora em Filosofia pela PUC-SP (2019) com estágio doutoral na Université Paris Ouest Nanterre La Défense (França). Integra o Laboratório Filosofias do tempo do agora (Lafita/CNPq). Pesquisa os campos ético e político, com ênfase em filosofia contemporânea. Realiza pesquisa de pós-doutorado no PPGF-UFRJ como bolsista da Faperj.