Por uma crítica à digitalização da saúde: geopolítica, poder e cuidado em tempos de colonialismo digital
O campo da saúde vem sendo profundamente transformado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). A combinação inédita de uma ampla disponibilidade de dados sobre a vida e a experiência humana, associada ao aumento no poder computacional acessível e reprodutível, tem permitido o aperfeiçoamento exponencial das práticas de diagnóstico, gestão e análise de dados e, ao mesmo tempo, desafia noções já consolidadas de cuidado, bem-estar e saúde.
No entanto, há uma crescente preocupação e evidência de que essas tecnologias podem incorporar e amplificar vieses sociais diversos baseados em gênero, raça, língua, território, etc. Ao mesmo tempo, a plataformização da saúde abre precedentes para novas formas de exploração do trabalho, expropriação de biodados, e a datificação comercializada da saúde física e mental. O conceito de colonialismo digital problematiza a dependência tecnológica de países em desenvolvimento às Big Techs.
Essa mesa busca debater as contradições sociais e econômicas e geopolíticas próprias à chamada “digitalização da saúde”