Letícia Gabrielle Souza
Bacharela em Nutrição pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP, 2022) e mestre em Ciências, com ênfase em Saúde Pública, pela mesma instituição (2024). Atualmente, é doutoranda em Saúde Pública pela FSP-USP e integrante do LABDAPS, onde investiga como decisões de pré-processamento de dados influenciam o desempenho de modelos de machine learning e a representatividade populacional em saúde.
Session
O campo da saúde vem sendo profundamente transformado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). A combinação inédita de uma ampla disponibilidade de dados sobre a vida e a experiência humana, associada ao aumento no poder computacional acessível e reprodutível, tem permitido o aperfeiçoamento exponencial das práticas de diagnóstico, gestão e análise de dados e, ao mesmo tempo, desafia noções já consolidadas de cuidado, bem-estar e saúde.
No entanto, há uma crescente preocupação e evidência de que essas tecnologias podem incorporar e amplificar vieses sociais diversos baseados em gênero, raça, língua, território, etc. Ao mesmo tempo, a plataformização da saúde abre precedentes para novas formas de exploração do trabalho, expropriação de biodados, e a datificação comercializada da saúde física e mental. O conceito de colonialismo digital problematiza a dependência tecnológica de países em desenvolvimento às Big Techs.
Essa mesa busca debater as contradições sociais e econômicas e geopolíticas próprias à chamada “digitalização da saúde”