Walter Lippold
Walter Lippold é professor do PPPGH-UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa História, Memória e Luta de Classes da Universidade Federal Fluminense, coordenando o tema História da Ciberguerra. Integra o Grupo de Pesquisa “Humanidades digitais e teoria da história: Recursos, ferramentas, aplicações computacionais e seus problemas para a historiografia no século XXI” da UFSC e pesquisa temas como colonialismo digital, história da tecnologia, cibercultura e hacktivismo. Membro do Coletivo Fanon, é autor de Fanon e Revolução Argelina (Autonomia Literária 2025) e, junto com Deivison Faustino, escreveu o livro Colonialismo Digital: por uma crítica hacker-fanoniana (Boitempo, 2023).
Sessions
Cian Barbosa (Unifesp/UFRJ, colunista Opera Mundi), Deivison Faustino (USP, coautor de Colonialismo Digital) e Walter Lippold (UFRGS, coautor de Colonialismo Digital).
Essa mesa aborda três aspectos intrigantes das ciberguerras atuais: 1. a infraestrutura digital como extensão do complexo industrial militar 2. a mudança de paradigma dos sistemas autônomos de armas (AWS) para a sistemas totalmente autônomos de armas (FAWS) e 3. a dialética cibernética-cinética das novas tecnologias de morte. Os casos recentes de emprego de armas autônomas na indústria da morte, reflete uma tendente dissolução das fronteiras entre civil e militar, cinético e cibernético, de tal forma que podemos considerar todo o relevo digital como um campo onde ambas esferas coexistem simultaneamente. Esses sistemas são desenvolvidos para dinamizar e acelerar a chamada kill chain, literalmente a cadeia de produção da morte em organização industrial-militar, articulando o processo em escalas, do local ao global. Eles integram Big Data com informações de perfis pessoais nas redes, até a triangulação de dados geo-espaciais, para selecionar suspeitos e determinar execuções. Nessa integração, utilizam-se ativamente as I.A.s mais populares, como o ChatGPT, da empresa OpenAI, que firmou um contrato de 200 milhões de dólares com o governo Trump.
Walter Lippold (PPGH-UFRGS e Coletivo Fanon), Cláudia Araújo (IFG/IEA-USP e Educa+AI) e Guilbert Kallyan(PSC - USP e PSOPOL - USP)
A luta pela soberania digital e popular brasileira, passa pela crítica do monopólio exercido pelas big techs e suas plataformas proprietárias de educação. Nesta palestra vamos apresentar e interpretar dados e documentos oficiais, como a Política Nacional de Educação Digital (PNED, Lei 14.533/2023), o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (2024-2028) e o Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação (2026). Através da análise de documentos e da realidade educacional do Brasil, denunciamos o poder do colonialismo digital nos sistemas educacionais brasileiros, rumo a uma engenharia reversa da ideologia californiana, que acompanha o tecnosolucionismo no campo da educação. Quando a educação e suas instituições escolares públicas adotam plataformas proprietárias como Google Classroom, Letrus ou qualquer plataforma de aprendizagem adaptativa, somos submetidos ao modelo de negócios das grandes empresas de tecnologias, big techs e edutechs, que fazem venda casada de seus produtos junto com ideologias que exaltam o empreendedorismo, as metodologias ativas, que sugam a pedagogia hacker, esvaziando o seu potencial revolucionário.