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Palestra: A Vigilância do Estado em Ativistas de Cor

Como os Estados Unidos têm usado as redes sociais para criminalizar o Black lives Matter

A ideia é trazer um panorama sobre a discussão de vigilância de ativistas de cor (militantes do movimento negro) e como a tecnologia tem avançado na perseguição dessas pessoas. Trazer a discussão racial para o campo TECH também.

Num crescente avanço da política de monitoramento, em países como Estados Unidos, diversas pessoas têm sido presas com embasamento racial. Essas informações, contudo, não rompem as barreiras midiáticas e muito menos os círculos progressistas. Em 2018 veio à tona o vazamento de dados da unidade de terrorismo do FBI com novas denominações para os ativistas da causa negra: “Extremistas de identidade negra”; “uma nova ameaça violenta”; “terroristas domésticos”. Novamente tudo em nome da Segurança Nacional.
Para começo de conversa, e para entendermos o que o significado destas denominações, precisaremos falar sobre a definição americana feat racista do perfil terrorista. Na leitura de um relatório divulgado em reportagem do The Guardian, Trump concentra seus esforços contra o terrorismo apenas no extremismo islâmico e não nos grupos de supremacia branca. Contudo, Segundo a ONG Southern Poverty Law Center (SPLC), que monitora grupos de ódio nos EUA, 130 deles seguem a KKK, 99 são neonazistas, 100 são nacionalistas e 43 neoconfederados.
Nas últimas décadas, a vigilância a ativistas de cor ganhou um novo aliado: a internet e suas redes sociais. A ONG União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) vazou documentos sobre monitoramento à manifestantes de Ferguson, em 2014, e de Baltimore, em 2015. Todos eles sobre atos que tinham motivações raciais e contra violência policial. Esses documentos eram da Geofeedia, uma empresa dedicada a produzir plataformas para inteligência de mídias sociais, a qual relaciona posts com localizações geográficas. O que foi descoberto até então é que as autoridades estavam usando dados de monitoramento através do twitter, facebook e instagram. A partir destes dados, a polícia pode usar, por exemplo, software de reconhecimento facial para executar mandados pendentes de prisão.
Pretendemos destacar que não são casos isolados de espionagem de grupos, ativistas e protestos redirecionados a causa negra. A ACLU teve acesso diversas denúncias, milhares de páginas de registros públicos revelando que as agências policiais em todo o estado estão adquirindo secretamente um software de espionagem de mídia social que pode colocar os ativistas numa rede de vigilância digital. A coisa ainda fica mais assustadora com o surgimento de programas de vigilancia de mídia social da empresa MEDIASONAR, que rastreiam “ameaças à segurança pública” monitorando hastags como #blacklivesmatter, #policebrutality.
Nesse contexto, acreditamos ser importante propor uma reflexão sobre a vigilância de ativistas brancos versus a vigilância de ativistas negros. A atividade que aqui apresentamos pretende discutir esse tema através de notícias e matérias publicadas na internet, destacando estes e outros pontos que a análise de casos específicos pode nos trazer. Esperamos que seja possível contribuir para um melhor entendimento deste cenário, destacando a necessidade de se atentar um recorte racial nas discursões sobre segurança nas redes virtuais.

Info

Dia: 04/05/2019
Hora de início: 02:50
Duração: 00:50
Room: Chelsea Manning - 1º e 2º andar BMA
Trilha: Política
Língua:

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