Version Completinha

palestra: Fembots contra o determinismo tecnológico e a neutralidade da técnica

Event large

Por meio da crítica ao determinismo tecnológico e da noção de que a tecnologia não é neutra, abrem-se novas possibilidades de análise e debate em torno da figura da fembot. Teorias sobre a influência social na construção, produção e manutenção de artefatos tecnológicos surgem como alternativas mais plausíveis, historicamente, do que a narrativa determinista dominante.
Ainda que materialização do caráter patriarcal e capitalista da técnica, a fembot surge nesta análise como algo mais do que uma metáfora distópica: em todas as suas potencialidades sociais, há ainda aquela da crítica e da revolução.

A crítica ao determinismo tecnológico possibilita, fundamenta e fornece método à análise da figura da fembot proposta pela atividade. A ideia da neutralidade da tecnologia é especialmente criticada bem como alguns pilares da narrativa determinista, fortemente intrincada no pensamento tecnológico ocidental (Andrew Feenberg, 1999). Autores da sociologia da tecnologia (STS) defendem a ideia de que a sociedade "forma" a tecnologia (Donald Mackenzie e Judy Wajcman, 1999) e convidam à análise de artefatos tecnológicos em sua construção social e histórica. Trata-se de colocar o objeto tecnológico junto aos fatores sociais em jogo na sua produção e consumo.
É sob este olhar que a fembot surge nesta atividade. Expostos os métodos e pressupostos não-deterministas iniciais, a argumentação se volta para colocar fatores sociais que influenciam a produção e a construção do hardware feminizado. Serão debatidas as condições laboratoriais situadas de sua criação (não naturais ou mais naturais que as naturais), bem como os fatores patriarcais e capitalistas que possibilitam e guiam a performance social desse agente (já não mais um simples hardware).
Na identificação de fatores imprevisíveis e da agência humana dentro da relação entre sociedade e tecnologia sobrevive a possibilidade de crítica e atuação feminista. Algum espaço também é destinado a outros aspectos da fembot como a evocação da fêmea de carne como parte apagada da fêmea de metal (aproximações através do trabalho precarizado, da objetificação do corpo e da performance social) (Julie Wosk, 2001); e também à tentativa de olhar para a riquíssima dimensão irracional na percepção humana da fembot.
Além das teorias e métodos da sociologia da tecnologia (Donald Mackenzie e Judy Wajcman, 1999) e da teoria crítica da tecnologia (Andrew Feenberg, 1999), o tecnofeminismo (Judy Wajcman, 2004) e algumas interpretações de teorias que fundamentariam o ciberfeminismo (Donna Haraway, 1991) surgem no final da exposição como alternativas de resistência e crítica à ordem social. A noção de que a tecnologia não é neutra, mas humana, em conjunto com a análise não determinista de artefatos tecnológicos, abre novas possibilidades para apropriações genuinamente libertárias e revolucionárias.

Info

Dia: 05/05/2018
Hora de início: 11:30
Duração: 00:50
Room: Ada Lovelace
Trilha: Gênero
Language:

Links:

Arquivos

Comentários

Estamos interessados ​​na sua opinião! Por favor, deixe-nos saber se você gostou deste evento?