09/05/2026 –, Tula Pilar (piso térreo) Idioma: Português brasileiro
Privacidade nunca foi distribuída de forma igual, ainda mais para nós mulheres negras, periféricas e onde os corpos são historicamente vigiados, a ausência de anonimato não é um detalhe técnico, é um risco concreto.
Nesta palestra, discutirei como a criptografia e as tecnologias descentralizadas podem ser ferramentas de proteção, autonomia e justiça social. Em um contexto de vigilância algorítmica, reconhecimento facial racialmente enviesado e coleta massiva de dados, quem controla a informação controla o poder.
Partindo de casos brasileiros e debates globais sobre vigilância digital, vamos explorar como ferramentas como criptografia de ponta a ponta, anonimização e infraestruturas descentralizadas podem fortalecer redes comunitárias e proteger ativistas, lideranças e mulheres negras no ambiente digital.
Mais do que uma conversa técnica, espero que esta, seja uma reflexão sobre poder: quem vigia, quem é vigiado e como podemos reconfigurar essa lógica.
Porque criptografia não é apenas código para nós, é estratégia de sobrevivência.
A história da vigilância sempre teve cor, classe e território. No Brasil, tecnologias de monitoramento e reconhecimento facial são implementadas majoritariamente em espaços periféricos. Mulheres negras, lideranças comunitárias e ativistas frequentemente ocupam a intersecção entre invisibilidade política e hiperexposição digital.
Enquanto a privacidade é tratada como luxo ou conveniência em muitos debates tecnológicos, para populações historicamente marginalizadas ela é uma questão de segurança.
A minha palestra, parte de uma pergunta central: quem se beneficia da vigilância digital e quem paga o preço?
Explorarei como sistemas automatizados, bancos de dados biométricos e tecnologias de rastreamento ampliam desigualdades estruturais. Casos de reconhecimento facial com altas taxas de erro para pessoas negras, políticas de monitoramento em territórios periféricos e a coleta massiva de dados por plataformas digitais demonstram que tecnologia não é neutra.
Mas a história não termina aqui.
Se a tecnologia pode ser instrumento de controle, ela deve ser ferramenta de resistência.
Analisarei:
-O papel da criptografia de ponta a ponta na proteção de comunicadores e ativistas
-Como redes descentralizadas podem reduzir dependência de infraestruturas centralizadas
-O uso estratégico de anonimato e pseudonimato
-Educação em segurança digital como prática comunitária
- Blockchain e identidade digital soberana como possibilidades (e limites) de autonomia
A proposta não é romantizar a tecnologia, mas politizá-la, pois ao entendermos que infraestrutura é poder, que design é decisão política e que segurança digital precisa considerar raça, gênero e território, mudamos o propósito das coisas.
Ao conectarmos debates sobre criptografia com justiça racial e de gênero, minha fala amplia a discussão tradicional da comunidade técnica e provoca uma reflexão necessária: segurança e privacidade para quem?
Criptografia não é e nunca foi apenas um protocolo matemático, é uma disputa por autonomia.
E autonomia, para mulheres negras, sempre foi um ato político.
Sou uma mulher negra na tecnologia, educadora e pesquisadora em justiça de dados. Atuo no desenvolvimento de projetos que conectam tecnologia e impacto social, com foco em autonomia digital para mulheres negras e comunidades periféricas.
Integro os coletivos Afroacademico, Educafro, Mães Negras do Brasil e tenho minha própria página Codigo da Hora, onde falo sobre iniciativas que enfrentam racismo algorítmico e vigilância digital.
Se possuo voz, tenho de usar.
Muitos bons ventos!