09/05/2026 –, Chelsea Manning (Auditório) Idioma: Português brasileiro
No final de 2025, documentos internos da Meta foram vazados, divulgando dados relevantes sobre sua receita, tal como que anúncios de golpes e produtos ilegais renderam um valor de $16 bilhões à empresa. O ocorrido ilustra como o atual modelo de negócios das plataformas digitais prioriza o lucro em detrimento à segurança dos usuários. Ao invés de serem desenvolvidos mecanismos mais apurados em relação à política de anúncios e moderação de conteúdo, observa-se apenas a adoção de medidas ineficientes ou mesmo uma inércia por parte dos provedores. Em paralelo, usuários estão sendo enganados a todo momento, com destaque para o uso de deepfakes nos casos, que os deixam mais sofisticados e assim somam vítimas com diferentes níveis de letramento digital. Em sua diversidade, há golpes que miram famílias de baixa renda ou programas do governo (tal como o Desenrola Brasil); há aqueles que se aproveitam do uso de deepfakes, malwares e marketplace falso ou mesmo casos voltados para enriquecimento rápido e com pessoas famosas. Nessa oficina, pretendemos explorar o tema descrito em dois momentos: um primeiro expositivo, de apresentação do tema, e outro prático, em que serão abordadas boas práticas, cuidados digitais e maneiras de identificar anúncios fraudulentos.
Em vista à problemática sobre golpes e fraudes no ambiente digital descrita acima, a oficina pretende abordar o tema a partir dos seguintes focos: i) a responsabilidade das plataformas digitais; ii) os mecanismos usados para a aplicação dos golpes e fraudes (deepfakes, phishing, malwares, dentre outros); iii) possíveis estratégias a serem desenvolvidas pelas plataformas digitais no âmbito da moderação de conteúdo; e iv) mecanismos para tornar o usuário mais protagonista - seja no funcionamento de golpes e fraudes, boas práticas, identificação de conteúdos fraudulentos e cuidados digitais.
Para isso, a oficina apresentará conteúdo teórico e prático. Para gerar maior interação com os presentes e dinamicidade, os momentos serão intercalados. Inicialmente, Júlia Caldeira (representante do Instituto de Defesa de Consumidores - Idec) irá apresentar a oficina, introduzindo a temática e discorrendo sobre o tema em 0,4h. Sob uma perspectiva crítica, apresentará alguns casos de golpes e fraudes que ocorreram nas grandes plataformas digitais recentemente.
Em seguida, Lauro Accioly (San Tiago Dantas) e Lucas Lago (Instituto Aaron Swartz) irão intercalar o conteúdo teórico e as atividades práticas, em que os presentes serão convidados a participar ativamente.
Lauro fará um panorama global das regulações e campanhas na detecção de conteúdos sintéticos, com medidas focadas em reverter danos e identificar conteúdos maliciosos. Enfatizando, também, debates relacionados a adoção de protocolos de segurança pelas instituições financeiras e aperfeiçoamento de uma cultura organizacional com procedimentos para prevenção de danos, evitando que não cresçam somente soluções detectoras de conteúdos sintéticos usados para aplicações de golpes, permitindo que mecanismos preventivos possam ser explorados.
Em meio a isso, Lucas irá conduzir as dinâmicas com a audiência, convidando-os e instigando-os a compreender como os golpes são realizados; identificá-los e desenvolver estratégias de proteção. As dinâmicas terão o seguinte escopo:
Simulador de golpes - Tentaremos realizar os passos necessários para a criação de uma fraude simulada (tendo como inspiração casos famosos). Passando pela criação de páginas, anúncios em redes sociais e possíveis estratégias de comunicação dentro das redes sociais. O objetivo é testar em tempo real como os mecanismos de moderação de conteúdo funcionam, entender os limites e falhas. Isso será realizado em tempo real a partir de testes nas plataformas.
É golpe ou não? - Serão apresentados conteúdos patrocinados diversos, a fim de questionar a audiência sobre sua natureza. Dentre eles, estarão presentes anúncios reais e outros fraudulentos - por exemplo, links falsos que simulam o TikTok Shop e incentivam pagamentos pelos usuários. O objetivo é evidenciar para o público como estamos sujeitos à confusão, principalmente quando há um alto nível de sofisticação.
E como se proteger? - No momento final, o foco será a segurança e proteção do usuário. O objetivo será conscientizar o público conversando sobre práticas e estratégias eficazes para identificar e não cair em golpes e fraudes.
Vice-presidente do Instituto Aaron Swartz, criado com a missão de inspirar, resgatar, conectar e potencializar ciberativistas, programadores, entusiatas do movimento Open Source, do conhecimento livre e da ciência aberta.
Agilista e pesquisador das metodologias ágeis, com publicações na área analisando os benefícios do uso de práticas ágeis na criação de softwares mais seguros.
Bolsista do Media Democracy Fund no ano de 2018, atuando na análise dos movimentos políticos nas redes sociais na eleição presidencial daquele ano. Idealizador e desenvolvedor do @projeto7c0, uma ferramenta de ativismo digital na (finada) plataforma Twitter.
Bacharela em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre pela mesma organização. É Analista de políticas públicas do Programa de direitos digitais e telecomunicações no Instituto de Defesa de Consumidores (IDEC). É membra da Coalizão de direitos na rede.
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas; Bolsista do Projeto Pro-Defesa V “Tecnologia, Defesa e Estudos de Futuro” do Ministério da Defesa