Larissa Macêdo
Larissa Macêdo é artista, curadora, doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Seu trabalho se concentra nas interseccionalidades entre inteligência artificial, redes sociais, práticas artísticas e curatoriais ativistas, e nas políticas de visibilidade em ambientes digitais, com foco em raça, gênero e territorialidades. É cofundadora do projeto <ater>, que evidencia os impactos da IA na produção de artistas negros e indígenas nas redes sociais. Atualmente, leciona na Belas Artes (FEBASP) e na École Intuit Lab em São Paulo. Organizou os livros Laboratório de tecnologias e artes: perspectivas para contracolonizar o pensamento e Tecnologias Feministas.
Sessão
A palestra abordará como artistas negros e indígenas brasileiros atuam como agentes críticos no hackeamento, remixagem e reprogramação simbólica de sistemas algorítmicos por meio de suas práticas artísticas compartilhadas nas redes sociais. Situada nas encruzilhadas entre arte, inteligência artificial (IA) e plataformas sociais digitais, a atividade se apoia em sistemas de conhecimento ancestrais, perspectivas contracoloniais e formas de resistência política e criativa para demonstrar como as redes sociais podem ser disparadores de outras perspectivas artísticas e comunicacionais. Práticas artísticas que confrontam as lógicas hegemônicas de visibilidade algorítmica e desafiam a infraestrutura tecnocolonial das redes sociais. A encruzilhada aparece como princípio que articula a rede social como território e enquanto "boca que tudo come", conceito inspirado em Exu Enugbarijó desenvolvido por Larissa Macêdo, para traçar as ambivalências presentes nos sistemas de IA. Com isso, é possível demonstrar como a encruzilhada permite compreender processos comunicacionais que desafiam as relações de poder em espaços digitais a partir de uma perspectiva afrodiaspórica que ativa outras formas de compreender e de lidar com esses sistemas.